Alares acelera consolidação, modernização de rede e uso interno de IA

Denis Ferreira, CEO da Alares, afirma ao Last Mile que empresa chegou a 825 mil clientes, mantém apetite por M&A e prepara rede para novas demandas de inteligência artificial, cibersegurança e B2B

A Alares segue com apetite para novas aquisições no mercado brasileiro de provedores, mesmo em um cenário de juros elevados e maior pressão por eficiência operacional. A avaliação foi apresentada por Denis Ferreira, CEO da companhia, em entrevista ao Last Mile durante o Abrint Global Congress 2026.

Segundo o executivo, a empresa chegou a 825 mil clientes após a aquisição da IPNET, realizada no fim do ano passado. Com esse movimento, a Alares se tornou a segunda maior ISP do estado de São Paulo, atrás apenas da Desktop, segundo Ferreira.

A companhia atua hoje em sete estados, com maior presença em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Ceará, além de operações menores no norte do Paraná, sul da Bahia e João Pessoa.

A Alares é investida pela Grain Management, fundo americano de private equity especializado em telecomunicações e no ecossistema de telecom. Para Ferreira, esse perfil do acionista traz benefícios que vão além do suporte financeiro, incluindo troca de experiências com outros ativos do fundo.

Consolidação continua no radar

Questionado sobre o impacto da taxa de juros no movimento de fusões e aquisições, Ferreira afirmou que a Alares continua acelerando sua estratégia de M&A.

Segundo ele, a empresa se vê como uma das protagonistas da consolidação do mercado brasileiro e acredita que ainda existem oportunidades relevantes a serem exploradas.

“Nós somos protagonistas nessa consolidação do mercado brasileiro”, afirmou.

Para o executivo, o cenário de juros altos aumenta a necessidade de seletividade, eficiência, gestão de caixa e processos mais bem estruturados. Ao mesmo tempo, pode levar empreendedores a repensarem o futuro de suas operações e abrir espaço para movimentos de consolidação em diferentes níveis do mercado.

Ferreira afirmou que a Alares olha os investimentos com visão de médio e longo prazo, e não apenas com base no cenário de curto prazo.

Integração como diferencial

Um dos pontos destacados pelo CEO foi a capacidade da Alares de integrar rapidamente empresas adquiridas.

Segundo ele, o processo da IPNET é um exemplo. A operação, com 25 mil assinantes, foi integrada em três meses aos sistemas, processos e modelo operacional da Alares.

“Em três meses, a IPNET com 25 mil assinantes estava 100% integrada, rodando nos nossos sistemas, seguindo os nossos processos”, afirmou.

Para Ferreira, essa velocidade é resultado de uma estruturação anterior de processos, sistemas, organização e cultura. A empresa vem trabalhando desde 2022 em uma arquitetura de tecnologia da informação integrada, com um sistema definido para cada área de negócio.

Na prática, a Alares evita operar sistemas duplicados. Segundo o executivo, essa escolha facilita a gestão, acelera integrações e reduz complexidade operacional.

O que a Alares avalia em uma aquisição

Ferreira também explicou que a estratégia de M&A da Alares não é definida apenas por geografia ou tamanho da operação.

Segundo ele, há três macrofatores principais na análise de um ativo.

O primeiro é o mercado em que a empresa está inserida e sua capacidade de continuar crescendo. Isso envolve fatores como ARPU, competição, condições regulatórias, impostos e disponibilidade de rede para expansão.

O segundo é a qualidade da rede. Para a Alares, esse ponto é relevante porque a empresa busca acelerar a operação a partir do primeiro dia após o fechamento. Se a rede exige muitos ajustes antes de crescer, o processo perde velocidade.

O terceiro fator é a governança e a cultura da empresa. Ferreira afirmou que a Alares busca entender como a operação é gerida, quais controles existem, como atuam os empresários e quais práticas podem ser preservadas ou aproveitadas.

Segundo ele, a companhia não espera que uma empresa pequena tenha a mesma governança de uma média ou grande, mas considera importante compreender as particularidades de cada operação.

Modernização da rede

Outro tema central da entrevista foi o projeto de modernização da rede da Alares.

Ferreira afirmou que, após 21 aquisições e um processo de homogeneização das redes adquiridas, a empresa entendeu que precisava avançar para uma nova arquitetura.

O projeto começou em dezembro e tinha previsão de conclusão em junho. Segundo o CEO, a modernização envolve cinco frentes: core, borda, agregação, acesso e cibersegurança.

O objetivo é preparar a rede para continuar crescendo, entregar melhor experiência ao cliente e suportar novas demandas ligadas à inteligência artificial e segurança digital.

Segundo Ferreira, a lógica usada na construção de redes GPON não necessariamente atende às exigências do novo cenário.

Rede preparada para IA e cibersegurança

Ferreira afirmou que, a partir de junho, a Alares terá uma rede “AI ready” e com um novo nível de cibersegurança, inclusive com possibilidade de oferecer essas capacidades a clientes B2B.

Na avaliação do executivo, aplicações de inteligência artificial mudam os requisitos da rede. No modelo tradicional de banda larga, a velocidade de download era o principal foco. Com IA, upload, conexão eficiente com clouds e performance nas transações passam a ganhar mais relevância.

Segundo ele, a nova arquitetura da Alares foi desenhada para lidar melhor com esse tipo de demanda, sem onerar desnecessariamente a rede.

Ferreira também destacou que o suporte de um acionista especializado em telecom foi importante para aprovar o investimento. Segundo ele, projetos desse tipo exigem visão de médio e longo prazo.

IA dentro da operação

Além de preparar a rede para o uso de inteligência artificial pelos clientes, a Alares também vem incorporando IA internamente.

Ferreira afirmou que a empresa começou a acelerar essa agenda há cerca de dois anos, mas que isso só foi possível por decisões tomadas em 2022 sobre arquitetura de tecnologia da informação, integração de sistemas, organização de dados e gestão baseada em dados.

“A nossa empresa hoje é 100% gerida baseada em dados, tomada de decisão baseada em dados”, afirmou.

Segundo ele, a implantação de IA na companhia começou com uma agenda educacional para o time executivo, depois avançou para a liderança e hoje chega a todos os colaboradores.

A empresa também criou uma ferramenta interna chamada AVA, Assistente Virtual da Alares. Segundo Ferreira, ela permite que colaboradores utilizem recursos de IA de forma segura e controlada, com possibilidade de upload de arquivos e consultas, reduzindo riscos de vazamento de informações.

O CEO afirmou que os projetos de IA na Alares seguem lógica de business case, com previsão de aplicação, rentabilidade e impacto para a empresa.

B2B ganha maturidade

No encerramento da entrevista, Ferreira também comentou a evolução da frente B2B da companhia.

Segundo ele, a Alares Empresas foi criada há dois anos com a visão de que o mercado corporativo seria uma avenida de crescimento. Hoje, de acordo com o executivo, essa frente já está consolidada.

“B2B, acho que um ano e meio atrás eu disse isso para vocês, seria uma avenida de crescimento e ela já se consolidou”, afirmou.

No AGC 2026, a empresa apresentou novidades voltadas a clientes de atacado e também à área de soluções inteligentes para condomínios. Essa frente inclui conectividade, segurança, controle de acesso e gestão da conexão entre apartamentos ou casas.

Eficiência, escala e tecnologia

A entrevista com Denis Ferreira mostra uma Alares focada em três movimentos simultâneos: consolidação, modernização tecnológica e expansão de novas frentes de receita.

A companhia continua olhando aquisições, mas com atenção a mercado, qualidade de rede, governança e capacidade de integração. Ao mesmo tempo, investe na modernização da infraestrutura para responder a novas demandas de IA, segurança digital e serviços B2B.

O ponto comum entre esses movimentos é a busca por escala com eficiência. Para Ferreira, crescer exige rede preparada, sistemas integrados, gestão por dados, cultura de execução e capacidade de capturar sinergias após cada aquisição.

A entrevista completa com Denis Ferreira está disponível no Last Mile Podcast.

Assine agora

Visão estratégica sobre o mercado de telecom e tecnologia, construída a partir do que realmente acontece no setor.

Ao me inscrever, concordo com os Termos de Uso do Substack e reconheço o Aviso de Coleta de Informações e a Política de Privacidade.